SPMS Especificação
INDICE_COMPLEXIDADE_UTENTE
Descrição

Designação do Índice

Índice de Complexidade dos Utentes (I.C.U.)

 

Enquadramento

A qualidade do trabalho desempenhado nas unidades funcionais dos cuidados de saúde primários (CSP) é condicionada pelo rácio entre profissionais e utentes.

No entanto, os utentes são todos diferentes entre si. Daí decorre que a quantidade de trabalho e recursos associada a cada utente varia em função de características específicas de cada um.

Os fatores que tradicionalmente influenciam os recursos a alocar a cada utente são os seguintes:

1. Idade, género e outras condições relacionadas com o ciclo de vida;

2. Condições sociais, económicas, culturais e familiares;

3. Carga de doença (morbilidade);

4. Disponibilidade de recursos em saúde.

 

É neste contexto que a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), dando cumprimento às respetivas competências, desenvolveu um algoritmo que permite gerar o "Índice de Complexidade do Utente - I.C.U.", que valoriza cada um dos utentes inscritos nos CSP na direta proporção da sua complexidade medida por variáveis demográficas, de morbilidade e de contexto, valorização essa que tem capacidade preditiva sobre a carga de trabalho assistencial médico que ocorrerá no ano seguinte (tempo que irá ser gasto por médicos de família com esses mesmos utentes).

 

O I.C.U. é calculado mensalmente, de forma automática, para cada um dos utentes inscritos nos cuidados de saúde primários, baseado em variáveis que são mensuráveis e disponíveis. As variáveis usadas para o cálculo do índice pertencem aos 4 grupos acima referidos.

 

O I.C.U. foi construído para que os respetivos valores, atribuídos a cada utente, ou agregados por "lista de médico de família", "unidade funcional" ou "ACES", possam ser usados para estimar a carga de trabalho médico associada a cada lista de utentes. O I.C.U. não deve ser usado para estimar a necessidade de outros tipos de recursos, como sejam o tempo de trabalho de enfermagem, despesa com medicamentos nem despesa com MCDT.

 

Resumo das Principais Características

O "Índice de Complexidade do Utente" é um valor numérico numa escala real, atribuído mensalmente a cada utente incrito nos Cuidados de Saúde Primários, com as características seguintes:

1. O cálculo dos pesos das variáveis/características baseia-se na comparação dos tempos das consultas médicas efetuadas por médicos de família, a todos os utentes inscritos nos CSP nos 12 meses que antecedem a data de cálculo I.C.U., tempos esses medidos diretamente nos registos das próprias consultas no sistema de informação.

2. Sustenta os valores atribuídos a cada utente em pesos ou fatores de ponderação medidos para os seguintes tipos de variáveis:

a) Utentes saudáveis segmentados por idade em classes de 1 ano e por género;

b) Gravidez ou puerpério;

c) Insuficiência económica;

d) Nacionalidade (segmentado por idade e género), para as nacionalidades que geram mais "tempos de consulta" do que a portuguesa;

e) Problemas de saúde. Os pesos são calculados para a ocorrência isolada e combinada das diversas patologias, com segmentação por idade e por género. São calculados pesos para 13 problemas de saúde de forma isolada ou em combinação dois a dois, três a três, etc, ou seja para todas as combinações possíveis desses problemas;

f) Correção por hipoutilização. Desvalorização os pesos atribuídos através dos critérios demográficos, de contexto e morbilidade anteriormente referidos nos utentes com médido de família atribuído e níveis de utilização muito abaixo do esperado.

g) Compensação por utilização para além do esperado. Valorização dos pesos atribuídos através dos critérios demográficos, de contexto e morbilidade anteriormente referidos nos utentes com médido de família atribuído e níveis de utilização ligeiramente acima do esperado.

h) Densidade populacional da freguesia de residência dos utentes.

i) A duração da inscrição dos utentes num médico de família. Permite majorar o I.C.U. entre 12% e 1% nos utentes inscritos num médico de família após terem estado "sem médico de família", para tempos de inscrição, respetivamente entre 1 e 12 meses. Também o I.C.U. dos utentes sem médico de família atribuído está já majorado em 12%;

j) A categoria da carreira médica atribui 10% do peso a utentes cujos médicos de família sejam assistentes graduados senior e 1,5% a utentes cujos médicos de família sejam assistentes graduados (esta regra foi descontinuada).

3. Encontra-se calibrado para que "1" corresponda ao peso médio dos utentes inscritos nos Cuidados de Saúde Primários no "mês de cálculo", ou seja, de modo a que a soma dos I.C.U. de todos os utentes inscritos em Portugal seja igual à respetiva contagem.

4. Correlaciona-se linearmente com a duração do trabalho assistencial médico ocorrido nos 12 meses anteriores nos CSP. Ou seja, se um utente tiver uma valorização de "1,5" e outro tiver uma valorização de "0,5", o que tem uma valorização de "1,5" deverá gerar 3 vezes mais tempos de consulta do que o que tem uma valorização de "0,5". O mesmo raciocínio poderá ser aplicado quando se analisam os I.C.U, da totalidade dos utentes inscritos num ficheiro de um médico de família ou numa unidade funcional. Por exemplo se uma unidade funcional tiver utentes que somam 20.000 unidades de I.C.U. e outra tiver utentes que somam 10.000 unidades de I.C.U., a que tem 20.000. unidades deverá alocar recursos para o dobro das horas de atividade assistencial do que a que tem 10.000.

5. Tem capacidade preditiva do trabalho assistencial médico que será efetuado aos respetivos utentes.

 

Fonte de Dados

A fonte primária dos dados é a tabela RNU_PRF_UT_INSCR, onde estão armazenados mensalmente, para cada utente, todos as variáveis necessárias ao cálculo do Í.C.U, bem como é guardado o resultado do mesmo, associado a cada utente. De notar que a tabela, estando ao nível do utente, tem informação sobre a unidade funcional de inscrição, se tem ou não o médico de família e a cédula desse médico, a freguesia de residência do utente, entre outras características.

As variáveis ou campos utilizados são os seguintes:

Nome Campo(s) na Tabela RNU_PRF_UT_INSCR Tipo de Factor
Idade [idade_anos] Idade, género e outras condições relacionadas com o ciclo de vida
Género [sexo] Idade, género e outras condições relacionadas com o ciclo de vida
Insuficiência económica [fl_insuficiencia_economica] Condições sociais, económicas, culturais e familiares
Nacionalidade [cod_pais_nacion] Condições sociais, económicas, culturais e familiares
Densidade populacional da freguesia de residência [densid_popul_frg_resid_pt] Disponibilidade de recursos em saúde
Ter médico de família [fl_tem_mdf] Disponibilidade de recursos em saúde
Categoria da Carreira Médica RHV Contexto profissional do médico de família
Gravidez ou puerpério [fl_gravidez]; [fl_puerperio] Idade, género e outras condições relacionadas com o ciclo de vida
Diabetes Mellitus [fl_diabetes]; [fl_medic_diabetes]; [fl_internam_diabetes] Carga de doença (morbilidade)
Hipertensão arterial [fl_hta]; [fl_medic_hta]; [fl_internam_hta] Carga de doença (morbilidade)
Ter pelo menos uma neoplasia maligna [fl_neoplasia_maligna] Carga de doença (morbilidade)
Asma [fl_asma]; [fl_internam_asma]; [fl_medic_asma_dpoc] Carga de doença (morbilidade)
DPOC [fl_dpoc]; [fl_internam_dpoc]; [fl_medic_asma_dpoc] Carga de doença (morbilidade)
Depressão [fl_depressao]; [fl_medic_depressao_ansied] Carga de doença (morbilidade)
Ansiedade [fl_ansiedade]; [fl_medic_depressao_ansied] Carga de doença (morbilidade)
Abuso de tabaco [fl_fumador] Carga de doença (morbilidade)
Abuso crónico de álcool [fl_consum_alcool] Carga de doença (morbilidade)
Infeção HIV ou Sida [fl_hiv_sida] Carga de doença (morbilidade)
Dependência de terceiros para atividades vida diária [fl_dependente_terceiros_avd] Carga de doença (morbilidade)
Úlcera crónica de pele [fl_ulcera_pele] Carga de doença (morbilidade)
Osteoartrose [fl_oat] Carga de doença (morbilidade)

 

Metodologia de Cálculo

A metodologia de cálculo tem 4 fases:

Fase 1. Determinação da duração das consultas médicas;

Fase 2. Cálculo dos "pesos" e "fatores de majoração" de cada variável;

Fase 3. Aplicação dos pesos individualmente a cada utente;

Fase 4. Ajustamento do valor individual do I.C.U. de cada utente para garantir que "1" corresponde ao "utente com complexidade média nacional".

 

Fase 1

Determinação da duração das consultas médicas

 

Esta fase tem como pressuposto que a medida do trabalho médico é o "tempo gasto em consultas".

Sabemos que nos CSP esse tempo é variável em função do tipo de consulta.

Assume-se o pressuposto que todas as consultas são classificáveis em 4 subtipos a seguir discriminados:

- Consulta médica não presencial

- Consulta médica presencial no domicílio

- Consulta médica presencial de vigilância (por critérios clínicos), na unidade funcional

- Consulta médica presencial não catalogada como sendo de vigilância, na unidade funcional

 

Neste contexto a duração de cada consulta é determinada através do seguinte algoritmo sequencial:

a) Determinação da data e hora de efetiva realização de todas as consultas médicas. A data/hora usada varia em função do tipo de consulta e do software de registo clínico usado. Quando o software de registo é o SClinico e as consultas não são do tipo "domicílio", usa-se a "hora de efetivação da consulta". Quando o software de registo é o MedicineOne e as consultas não são do tipo "domicílio", usa-se a hora de registo do SOAP ou da primeira receita médica emitida.
Quando as consultas são do tipo "domicílio" usa-se a "hora para a qual a consulta foi agendada"

b) Ordenação temporal das consultas médicas, médico a médico. Procede-se à ordenação das consultas médico a médico e dia a dia, pela hora de efetiva realização de cada consulta médica previamente determinada.

c) Determinação da duração de consulta. A duração de cada consulta é dada pela diferença de data/hora entre 2 consultas sequencialmente efetuadas pelo mesmo médico e no mesmo dia, com exceção para as consultas que não reúnem condições para que a sua duração seja determinada por este método.

d) Identificação das consultas em que não é possível medir a respetiva duração pela diferença entre as horas de efetiva realização 2 consultas sequenciais. Não se calcula a duração sempre que seja a última consulta do dia para um médico ou sempre que a diferença de tempos medidos por tipologia de consulta esteja fora dos intervalos seguintes: 1) Consultas no domicílio: 25 a 60 minutos; 2) Consultas de vigilância: 12 a 40 minutos; 3) Consultas presenciais (que não são domicílio nem de vigilância): 5 e 30 minutos; 4) Consultas não presenciais: 2 e 11 minutos;

e) Determinação dos tempos médios de duração das consultas por ficheiro de utentes (independentemente do médico que efetua a consulta) e por tipo de consulta médica em 4 classes (domicílios, vigilância, presencial e não presencial) para as consultas efetuadas nesse mês.

f) Atribuição dos tempos médios calculados médico a médico e por tipo de consulta às consultas em que não foi possível calcular a respetiva duração devidos às exceções evidenciadas anteriormente.

 

Fase 2

Cálculo dos "pesos" e "fatores de majoração" de cada variável

 

Existem variáveis/características dos utentes relativamente às quais se determinam "pesos" que, depois de determinados, podem ser somados aos utentes individualmente. Por exemplo, o peso de ter "diabetes" valoriza apenas o acréscimo de tempos de consulta médica dos utentes apenas com "diabetes" relativamente aos utentes sem "diabetes" e sem qualquer outra patologia, segmentando essa informação (dos pesos) por classes de idades e por género. No caso dos problemas de saúde dos utentes, calculam-se os pesos dos problemas de saúde quando ocorrem individualmente e também quando ocorrem em associações dois a dois, três a três, etc. Assim, os "pesos" têm como característica o facto de poderem ser somados entre si, quando um doente reúne características medidas em pesos diferentes, já que se garante à partida que a mesma característica não é medida em pesos diferentes.

Existem variáveis/características dos utentes, diferentes das anteriormente referidas, relativamente às quais se determinam "fatores de majoração". Em concreto, usa-se esta técnica para 5 tipos de variáveis:

1. Compensação por utilização para além do esperado.

2. Densidade populacional de residência dos utentes;

3. Tempo de inscrição do utente num médico de família depois de ter estado sem médico de família.

4. Inscrição num ficheiro sem médico de família;

5. Majoração por categoria da carreira do médico de família (assistente graduado e assistente graduado sénior).

Estes "fatores de majoração " são determinados com o objetivo de poderem ser multiplicados pelos dos "pesos" já previamente atribuídos aos utentes. No caso da densidade populacional, determina-se para 14 classes diferentes de densidade populacional, segmentadas por género, idade e número de problemas de saúde, a razão entre os "tempos médios de consulta por utente e por ano" para os utentes residentes em cada classe densidade populacional e os utentes da classe dedensidade populacional commenor consumo de consultas. Assim, se na classe [100; 150[ habitantes por Km2, o "tempo médio de consultas por utente e por ano" nos utentes com idades entre 40 e 50 anos, sexo masculino e 2 problemas de saúde, for de 40 minutos e o "tempo médio de consultas por utente e por ano" nos utentes com idades entre 40 e 50 anos, sexo masculino e 2 problemas de saúde, na classe menos utilizadora (habitualmente a de maior densidade populacional, isto é [6000; 20000[ hab./km2 for de 30 minutos por ano, o "fator de" majoração a aplicar aos utentes residentes em freguesias com densidade populacional de [100; 150[ habitantes por Km2, com idades entre 40 e 50 anos, sexo masculino e 2 problemas de saúde é de 1,33 (40 minutos / 30 minutos).

 

Variáveis

As variáveis utilizadas para o cálculo do I.C.U. são os seguintes:

 

Nome da Variável Granularidade e estratificação Fonte de Dados Peso / Fator de Ponderação Aplicado a?
Idade e género Classes de idades com amplitude de 1 ano combinadas com o género masculino e com o género feminino RNU "Tempo em trabalho assistencial médico por ano e por utente" em utentes saudáveis Todos os utentes com a idade e género respetivos
Insuficiência económica "Sim" ou "Não" RNU Diferença entre a duração das consultas em utentes com insuficiência económica e utentes sem insuficiência económica Utentes com insuficiência económica
Nacionalidade Cada nacionalidade Estratificação por idades (em classes com amplitude de 20 anos) e género RNU Determinam-se os pesos associados a todas as nacionalidades e valorizam-se as que possuem um peso superior à "nacionalidade portuguesa". Valoriza-se o "acréscimo" encontrado relativamente ao padrão nacional Utentes com cada uma das nacionalidades que em média estão associadas a maior carga de trabalho médico do que a nacionalidade portuguesa
Gravidez ou puerpério "Sim" - Grávida ou "em puerpério" na data de referência
"Não" - Sem gravidez nem puerpério
Fonte direta: SIARS
Fonte primária de dados: Módulo de saúde materna dos sistemas de registo clínico (SClínico e MedicineOne)
Diferença entre a duração das consultas em utentes apenas com "gravidez ou puerpério" e utentes com todas as variáveis negativas (sexo feminino e mesma amplitude de idades) Utentes com gravidez ou com puerpério
Problemas de saúde isoladamente ou de forma combinada São possíveis as classes seguintes:
Combinações um a um, dois a dois, três a três etc dos 13 problemas de saúde a seguir identificados:
1. Diabetes Mellitus
2. Hipertensão arterial
3. Neoplasia maligna
4. Asma
5. DPOC
6. Depressão
7. Ansiedade
8. Abuso de tabaco
9. Abuso crónico de álcool
10. Infeção HIV ou Sida
11. Dependência terceiros p/ AVD - locomoção
12. Úlcera crónica de pele
13. Osteoartrose
A estratificação é feita por idades (classes de 10 anos) e por género.
Listas de problemas ativos:
- Fonte direta: SIARS
- Fonte primária de dados: Módulo de saúde materna dos sistemas de registo clínico (SClínico e MedicineOne)
Diagnósticos de alta de internamentos:
Base de dados GDH
Medicamentos aviados para inferir sobre os diagnósticos de diabetes, HTA, asma, DPOC, depressão e ansiedade:
SIARS (CCF)
Diferença entre a duração das consultas em utentes apenas com a combinação de problemas em análise e utentes com todas as variáveis negativas. Utentes que possuem exatamente a combinação de patologias / problemas que geraram cada "peso"
Não ter médico de família e duração da inscrição em médico de família As classes são as seguintes:

ID Classe
0 Sem Médico de Família (MdF)
1 Com MdF há 1 mês
2 Com MdF há 2 meses
...  
12 Com MdF há 12 meses
13 Com MdF há 13 ou mais meses
RNU Os fatores de majoração são atribuídos por "consenso entre peritos" para as 14 classes da variável nos termos seguintes: As classes são as seguintes:
ID Classe Fator
0 Sem Médico de Família (MdF) 1,12
1 Com MdF há 1 mês 1,11
2 Com MdF há 2 meses 1,10
...    
12 Com MdF há 12 meses 1,01
13 Com MdF há 13 ou mais meses 1,00
Aos utentes que possuem a respetiva característica da classe de variável
Utilização prévia - Correção por hipoutilização Utente a utente.
São definidos 3 conjuntos de utentes:
NU5+ - Não utilizadores há 5 ou mais anos
NU3+ - Não utilizadores há 3 ou mais anos: Critérios adicionais de cumprimento: (1) Não classificados em NU5+; (2) Com menos de 15 anos ou com 50 ou mais anos.
NU1+ - Não utilizadores há 1 ou mais anos: Critérios adicionais de cumprimento: (1) Não classificados em NU5+; (2) Não classificados em NU3+; (3) Com menos de 5 anos ou com 65 ou mais anos.
SIARS 1. Subtrai-se o peso que tenha sido atribuído ao utente por caracteristicas demográficas ou de morbilidade.
2. Adiciona-se um "peso" proporcional ao tempo que o próprio médico de família gastou nos 12 meses anteriores com utentes semelhantes em termos de utilização, segmentado pelos 3 tipos de utentes hipoutilizadores em enálise (NU5+,NU3+ e NU1+)
Utentes inscritos com médico de família que cumprem critérios de utilização muito abaixo do esperado
Utilização prévia - Compensação por utilização para além do esperado São definidos 2 conjuntos de utentes:
1. Utilizadores para além do esperado - Utentes com "tempos efetivos de consulta" a superar o "tempo esperado" (adicionado de 5% da amplitude do intervalo de confiança com alfa igual a 95% da "diferença entre os tempos efetivos e os tempos esperados")
2. Utilizadores dentro do esperado: Os que não cumprem critérios de "Utilizadores para além do esperado".
Duração efetiva das consultas médicas. Aplicam-se de forma diferente aos 2 conjuntos de utentes:
1. Os "utilizadores dentro do esperado", ficam com um fator de majoração de "1", ou seja ficam exatamente como peso atribuído por características demográficas, de contexto e de morbilidade.
2. Os "utilizadores para além do esperado" recebem uma majoração do peso atibuido por critérios demográficos, em (1) 5% da amplitude do intervalo de confiança com alfa igual a 95% da "diferença entre os tempos efetivos e os tempos esperados" ou (2) em 10% do tempo esperado, sendo destas atribuída a que for maior em termos absolutos.
Exemplo 1 - Se nos utentes em que o "tempo esperado de consultas por ano" for de 60 minutos, se verificar um intervalo de confiança da "diferença entre os tempos reais e os esperados", com alfa igual a 95% de [-20; +30[ minutos, verifica-se que a amplitude do intervalo de confiança da diferença é de 50 minutos e 5% disso é 2,5 minutos. Nestas circunstâncias atribui-se 6 minutos de peso bonificado (10% de 60 minutos) a todos os utentes que tenham pelo menos 62,5 minutos (60 + 2,5) de consulta realizada.
Exemplo 2 - Se nos utentes em que o "tempo esperado de consultas por ano" for de 20 minutos, se verificar um intervalo de confiança da "diferença entre os tempos reais e os esperados", com alfa igual a 95% de [-15; +20[ minutos, verifica-se que a amplitude do intervalo de confiança da diferença é de 45 minutos e 5% disso é 2,25 minutos. Nestas circunstâncias atribui-se 2,25 minutos de peso bonificado (5% de 45 minutos) a todos os utentes que tenham pelo menos 22,25 minutos (20 + 2,25) de consulta realizada.
Utentes inscritos com médico de família que cumprem critérios de utilização "ligeiramente acima do esperado"
Densidade populacional da freguesia de residência do utente Os pesos são definidos para as classes seguintes:
[0; 50[ hab/km2
[50; 100[ hab/km2
[100; 150[ hab/km2
[150; 200[ hab/km2
[200; 400[ hab/km2
[400; 600[ hab/km2
[600; 800[ hab/km2
[800; 1000[ hab/km2
[1000; 2000[ hab/km2
[2000; 3000[ hab/km2
[3000; 4000[ hab/km2
[4000; 5000[ hab/km2
[5000; 6000[ hab/km2
[6000; 20000[ hab/km2
Cada classe é estratificada por:
1. Idade dos utentes em classes com amplitude de 10 anos
2. Género dos utentes
3. Nº de problemas de saúde
Freguesia de residência do utente: RNU
Densidade populacional da freguesia: Base de dados da ACSS
Razão entre a duração média das consultas realizadas por ano a cada utente na classe de densidade populacional em análise para determinado grupo etário, género e quantidade de problemas de saúde e a duração das consultas a todos os doentes com a mesma idade, género e nº de problemas, na classe de densidade populacional menos utilizadora. Todos os utentes com a idade, género, numero de problemas de saúde e classe dedensidade populacional da freguesia de residência compatível. Utentes com ou sem médico de família
Combnação entre si de:
1. Utilização prévia - Correção por hipoutilização
2. Utilização prévia - Compensação por utilização para além do esperado.
3. Majoração por " Densidade populacional da freguesia de residência do utente"
Não aplicável Não aplicável A "majoração por densidade populacional" tem características de colinearidade com a "Compensação por utilização para além do esperado". Para contornar essas características, esta "majoração pela densidade densidade populacional" é aplicada com as seguintes regras adicionais:
1. Nos utentes com médico de família, não é aplicada aos que cumpram critérios para "Correção por hipoutilização";
2. Nos utentes com médico de família, não é aplicada a utentes que não cumpram critérios por "Compensação por utilização para além do esperado";
3. Mos utentes sem médico de família é sempre aplicada;
4. Se a "Compensação por utilização para além do esperado" ultrapassa a "majoração por densidade populacional" atribui-se apenas a "Compensação por utilização para além do esperado".
5. Se a "majoração por densidade populacional" ultrapassa a "Compensação por utilização para além do esperado" atribui-se apenas a "majoração por densidade populacional".
Não aplicável
Categoria da carreira médica Utente a utente RHV (categoria da carreira) 10% do peso a utentes cujos médicos de família tenham a categoria de "assistente graduado sénior"
1,5% a utentes cujos médicos de família tenham a categoria de "assistente graduado"
Utentes com médico de família

 

Fase 3

Aplicação dos "pesos" individualmente a cada utente

 

Os "pesos" determinados na fase 2 são aplicados individualmente a cada utente sempre que o utente reúna as características associadas ao peso, através da fórmula seguinte:

PB = (Peso1 + Peso2 + … PesoN)

Por exemplo num doente com 45 anos, género feminino, com 2 problemas de saúde (diabetes e osteoartrose), nacionalidade venezuelana, insuficiência económica, residente numa freguesia zona rural (com densidade populacional de 140 habitantes por km2), utilizador de 120 minutos de consulta médica de qualquer tipo nos 12 meses anteriores e inscrito num médico de família há pelo menos 2 anos (com a categoria de assistente graduado), os cálculos seriam efetuados da forma seguinte:

 

COD Variável Valor da variável O que significa o peso?
Qual a classe e segmentação do peso?
Valorização do peso
P1 Idade e Género 45 anos, feminino "Tempo em trabalho assistencial médico por ano por por utente" nos utentes com [45 anos e sexo feminino], saudáveis, sem gravidez puerpério e sem insuficiência económica. 24.1 minutos por ano por utente
P2 Gravidez ou puerpério Não "Tempo em trabalho assistencial médico por ano e por utente" em utentes sem gravidez nem puerpério adicional ao que se verifica em utentes da mesma idade, género e sem problemas de saúde 0.0 minutos por ano por utente
P3 Problemas de saúde Diabetes e osteoartrose "Tempo em trabalho assistencial médico por ano e por utente" em utentes com "Diabetes e Osteoartrose" adicional ao que se verifica em utentes da mesma idade, género e sem problemas de saúde 42.3 minutos por ano por utente
P4 Nacionalidade Venezuela "Tempo em trabalho assistencial médico por ano e por utente" em utentes com "nacionalidade venezuelana" e género feminino e idade entre 40 e 60 anos, adicional ao que se verifica em utentes de nacionalidade portuguesa, com a mesma classe de idades e género 4.8 minutos por ano por utente
P5 Insuficiência económica Sim "Tempo em trabalho assistencial médico por ano e por utente" em utentes com "insuficiência económica", adicional ao que se verifica em utentes sem insuficiência económica 9.3 minutos por ano por utente
P6a Compensação por utilização "para além do esperado" Sim Intervalo de confiança das diferenças entre "tempo esperado" e "tempo efetivo": [-40; + 50]
A - Amplitude do intervalo de confiança: 90 minutos
A5perc (5% de A) - 4.5
TE (tempo esperado) = P1 + P2 + P3 + P4 + P5 = 24.1 + 0.0 + 42.3 + 4.8 + 9.3 = 80.5 minutos
TE10perc (10% do tempo esperado) = 8,05
LIM (Limiar para "tempo esperado") = TE + A5perc = 80.5 + 4.5 = 85 minutos
Como o [tempo de utilização efetiva] (120 minutos) é maior ou igual que Limiar para "tempo esperado" (85 minutos), o utente é elegível para esta valorização.
Como TE10perc > A5perc, o peso calculado é 8.05
P6b Densidade Populacional da freguesia de residência 140 habitantes por Km2 A = "Tempo em trabalho assistencial médico por ano e por utente" em utentes residentes em freguesias com [100; 150[ habitantes por Km2", com idades entre 40 e 49 anos, género feminino e 2 problemas de saúde: 78,08 minutos
ClasseMin. Classe de densidade populacional menos utilizadora no segmento dos utentes com idades entre 40 e 49 anos, género feminino e 2 problemas de saúde; [6000; 20000[ habitantes por Km2
B = "Tempo em trabalho assistencial médico por ano e por utente em ClassMin": 69,59 minutos
FATOR = A / B = 78,08 / 69,59 = 1,12
Peso = (P1 + P2 + P3 + P4 + P5) x (FATOR - 1) = 80,5 x 0,12 = 9,82
9,82
P6 Máximo entre P6a e P6b --- Dos 2 valores apurados para P6a e P6b, escolhe-se o maior 9,82
P7 Tempo de inscrição com médico de família 24 meses FATOR (Fator de majoração para utentes inscritos há 13 ou mais meses após terem estado sem médico de família) = 1
Peso = (P1 + P2 + P3 + P4 + P5) x (FATOR - 1) = 80,5 x 0 = 0
0.0
P8 Carreira médica Assistente graduado MajCarr (majoração por carreira): 1,5%
Pmaj (Pesos a majorar) = P1 + P2 + P3 + P4 + P5 + P6 + P7 = 90,32
Peso = Pmaj / (1 - MajCarr/100) - Pmaj = 90,32 / (1 - 0.015) - 90,32 = 1.375
1.375

PB = P1 + P2 + P3 + P4 + P5 + P6 + P7 + P8 = 24.1 + 0.0 + 42.3 + 4.8 + 9.3 + 9,82 + 0.0 + 1,375 = 91,7 minutos

 

Fase 4

Ajustamento do valor individual do I.C.U. de cada utente para garantir que "1" corresponde ao "utente com complexidade média nacional".

 

Esta operação de conversão da dos valores previamente calculados é efetuada utente a utente a através da fórmula seguinte:

I.C.U. = PB x [somatório nacional de utentes inscritos nos CSP] / [somatório dos valores de PB calculados para todos os utentes]

AplicaçãoNívelTipo de EstruturaÁrea funcional
NCSPNCSPFicheiroAjustamento pelo risco
Identifica utentes?Identifica Profissionais?Identifica Locais ou UF?
NãoNãoNão
Data InícioData FimData InserçãoData Alteração
2017-10-132500-01-012017-10-192022-12-04
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